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Investimentos

Omie, sistema de gestão para pequenas empresas, faz a maior rodada do ano no Brasil

Série D de US$ 150 milhões tem a suíça Partners Group como líder, avalia a empresa em cerca de US$ 700 milhões e foi, em sua maior parte, uma compra de participações de investidores antigos.

Redação Inova Simples4 min de leitura
Balcão de pequeno comércio com notebook e celular: a Omie vende gestão em nuvem para PMEs
Balcão de pequeno comércio com notebook e celular: a Omie vende gestão em nuvem para PMEs Imagem gerada por IA

A Omie, empresa de software de gestão (ERP) em nuvem para pequenas e médias empresas, anunciou uma rodada Série D de US$ 150 milhões, a maior captação de uma startup brasileira em 2025 até aqui, segundo a Bloomberg Línea. A gestora suíça Partners Group liderou a operação com US$ 100 milhões, por 15% da companhia. A transação avalia a Omie em cerca de US$ 700 milhões. Em reais, a empresa informou ter captado R$ 885 milhões.

Uma rodada majoritariamente secundária

Boa parte do dinheiro da Partners Group não entrou no caixa da Omie: foi usada para comprar ações de investidores que já estavam na empresa. A operação permitiu saídas parciais de SoftBank, Riverwood e Astella, que seguem como acionistas. A gestora ganha um assento no conselho de administração, e o aporte é o primeiro da sua estratégia de growth equity no Brasil, voltada a empresas consolidadas com potencial de expansão.

Para a gestora, a Omie combina produto robusto, modelo de distribuição diferenciado por meio de contadores e franquias, e um mercado abundante e em construção: menos de 15% das PMEs brasileiras utilizam algum tipo de sistema.
Tiago Andrade, membro da equipe de gestão da Partners Group

Contadores como canal e finanças como aposta

Fundada em 2013 e comandada por Marcelo Lombardo, a Omie reúne emissão de notas fiscais, controle de estoque, análise de vendas e serviços contábeis. A empresa diz que seus usuários movimentam cerca de R$ 34 bilhões por mês em notas fiscais e que atingiu o ponto de equilíbrio e a geração de caixa em julho de 2023, crescendo de 30% a 40% ao ano com recursos próprios. Segundo a Bloomberg Línea, mais de 28 mil escritórios de contabilidade usam a plataforma.

A frente de serviços financeiros, que inclui conta digital, antecipação de recebíveis e cartão de crédito, representa cerca de 7% da receita. A meta é chegar a 25% a 30% até 2030. A empresa já comprou o banco digital Linker, em 2021, e a plataforma Ergoncredit, em 2022. Em junho de 2025, lançou uma função para operar o sistema pelo WhatsApp, por texto ou voz.

A digitalização das pequenas empresas é condição essencial para que o Brasil avance em produtividade e competitividade.
Marcelo Lombardo, CEO da Omie

Reforma tributária como motor

A Omie mira 1 milhão de clientes e US$ 1 bilhão em receita até 2030. Lombardo aposta que a reforma tributária, cuja transição começa em janeiro de 2026, vai acelerar a formalização e a necessidade de digitalização da base de pequenas e médias empresas. A estratégia de somar conta, crédito e cartão ao ERP mostra o sistema de gestão disputando o papel de porta de entrada do pequeno negócio para serviços financeiros.

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