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Investimentos

Depois do recorde de 2024, investimentos anunciados em São Paulo perdem fôlego

Estado somou R$ 184,2 bilhões em anúncios em 2024, maior valor da série da Fundação Seade. Em 2025 e no primeiro semestre de 2026, os valores semestrais ficaram bem abaixo do pico, com infraestrutura e data centers à frente.

Redação Inova Simples5 min de leitura

Continuação de São Paulo teve R$ 102,43 bilhões em investimentos anunciados no primeiro semestre de 2024 (20 de jul de 2024)

Obras de infraestrutura de transporte, setor que lidera os investimentos anunciados em São Paulo
Obras de infraestrutura de transporte, setor que lidera os investimentos anunciados em São Paulo Imagem gerada por IA

Em julho de 2024, a Fundação Seade informou que o estado de São Paulo havia registrado R$ 102,43 bilhões em investimentos anunciados no primeiro semestre daquele ano. O número cresceu depois, e o ano terminou com um recorde. Desde então, porém, os anúncios voltaram a patamares mais modestos, segundo os levantamentos seguintes da Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp).

O recorde de 2024

O balanço anual da Seade mostrou R$ 184,2 bilhões em investimentos anunciados em 2024, o maior valor da série iniciada em 2012 e quase o dobro dos R$ 97,1 bilhões de 2023. A infraestrutura respondeu por 48% do total, puxada por linhas de trem e metrô, rodovias recém-concedidas e terminais no Porto de Santos. A indústria somou R$ 48,2 bilhões, 85% deles ligados ao setor automotivo, e os serviços, R$ 39,6 bilhões, mais da metade para a construção de data centers.

A série é revisada à medida que novos anúncios são identificados. No gráfico publicado em 2025, o primeiro semestre de 2024 aparece com R$ 127,5 bilhões, acima dos R$ 102,43 bilhões divulgados inicialmente. O segundo semestre daquele ano ficou em R$ 56,8 bilhões.

2025: Embraer, trens e comércio eletrônico

No primeiro semestre de 2025, a Seade contou R$ 71,8 bilhões em anúncios. A infraestrutura somou R$ 28,3 bilhões (39,4%), com destaque para a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade de trens metropolitanos à Trivia Trens, do grupo Comporte, com R$ 14,3 bilhões previstos. A indústria chegou a R$ 21,6 bilhões, quase tudo da Embraer, que anunciou R$ 18,9 bilhões para ampliar a produção de aeronaves e desenvolver novos modelos. No comércio, o Mercado Livre respondeu por R$ 13,6 bilhões dos R$ 13,7 bilhões do setor.

Os data centers seguiram em alta. Dos R$ 8,2 bilhões anunciados em serviços, mais da metade foi para centros de dados, como o complexo de R$ 5 bilhões da Aurea Finvest em Sumaré, com 800 MW de potência previstos.

2026: infraestrutura domina, valores caem

No primeiro semestre de 2026, os investimentos anunciados somaram R$ 42,68 bilhões, segundo dados da Seade divulgados no fim de agosto. A infraestrutura concentrou R$ 26,5 bilhões, cerca de 65% do total, com obras em rodovias, hidrovias e metrô, modernização das redes de energia e ampliação do saneamento. Em seguida vieram serviços (R$ 8,9 bilhões), indústria (R$ 4,3 bilhões), comércio (R$ 820 milhões) e agropecuária (R$ 190 milhões).

Nos microdados da pesquisa, publicados no repositório da Seade, aparecem entre os maiores anúncios do semestre a concessão rodoviária da Rota Mogiana (R$ 9,4 bilhões), um complexo de data centers voltado à inteligência artificial da Ascenty na região de Campinas (cerca de R$ 6 bilhões), a inauguração do trecho da Linha 17-Ouro do monotrilho até o aeroporto de Congonhas (R$ 5,97 bilhões) e um plano de R$ 3,5 bilhões da General Motors para suas fábricas.

O quadro reforça uma tendência que já aparecia em 2024: o estado atrai cada vez mais projetos de infraestrutura concedida e de data centers, enquanto os anúncios industriais dependem de poucos grandes planos, como os da Embraer e das montadoras. Para pequenas empresas e startups, esses projetos sinalizam onde deve haver demanda por fornecedores de serviços, tecnologia e obras nos próximos anos.

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