
Editorial
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Informação para o próximo passoquarta-feira, 7 de outubro de 2026
Com o equity privado em baixa e nenhum unicórnio novo em 2025, BNDES e Finep viraram protagonistas do capital de risco. O desenho atual é bom, e justamente por isso precisa de transparência e de parceiros privados.
Editorial: texto de opinião que expressa a posição do Inova Simples. Os fatos citados têm as fontes listadas ao final.
Continuação de Monashees é escolhida para gerir fundo de IA de até R$ 500 milhões do BNDES e da Finep (14 de set de 2026)

Em 2025, o Brasil interrompeu uma sequência iniciada em 2018 e não produziu nenhum novo unicórnio. Os aportes em participação acionária em startups brasileiras caíram 34%, para US$ 1,7 bilhão, segundo dados preliminares da Sling Hub publicados pela Bloomberg Línea. Em 2026, o retrato mostra outra distorção. As fintechs concentraram 67% dos aportes do primeiro semestre, o equivalente a US$ 1,77 bilhão, e, das dez maiores rodadas do setor entre 2025 e 2026, só duas foram de equity, de acordo com levantamento da Sling Hub repercutido pela Connect Week. O dinheiro existe, mas chega cada vez mais como dívida e para poucos setores.
Nesse vácuo, o Estado ocupou espaço. Em setembro, BNDES e Finep escolheram a Monashees para gerir um fundo de inteligência artificial com potencial de mobilizar até R$ 500 milhões. Em agosto, o FIP Conexões Startups, com capital-alvo de R$ 250 milhões, recebeu 19 propostas de gestoras. Em junho, o banco anunciou até R$ 63 milhões para o fundo pré-seed da Antler no Brasil. A pergunta que fundadores e investidores fazem é se isso é alavanca ou dependência.
A resposta curta é: alavanca, por desenho. Nos editais recentes, cada cotista âncora público fica limitado a 25% do capital do fundo. No FIP de IA, a BNDESPAR pode comprometer até R$ 125 milhões e o FNDCT, via Finep, até R$ 80 milhões; o restante precisa ser captado pela gestora no mercado. A regra obriga o dinheiro privado a entrar junto e deixa a escolha das startups com gestoras privadas, selecionadas por chamada pública.
O histórico também ajuda. Em 2023, a BNDESPAR informava ter R$ 6,3 bilhões comprometidos em 48 fundos ativos, que alavancavam R$ 23,5 bilhões de outros investidores. Cada real do banco atraía R$ 3,70 de terceiros, segundo números divulgados na época ao Startups.com.br.
Há ainda um mérito pouco discutido. O fundo de IA reserva 30% dos recursos da Finep para startups do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste, e o Conexões Startups mira empresas que já passaram por programas como Centelha e BNDES Garagem. São tentativas de corrigir duas falhas que o mercado sozinho não corrigiu: a concentração regional e o vale entre a subvenção pública e o primeiro cheque privado.
O teto de 25% só funciona se houver quem complete os outros 75%. E o lado privado está mais fraco. Segundo o mesmo levantamento repercutido pela Connect Week, os veículos de corporate venture capital registrados caíram de cerca de 100 para aproximadamente 70, e menos de 50 seguem investindo ativamente. Os dois fundos públicos mais recentes exigem capital mínimo de R$ 160 milhões cada. Se fundos de pensão, family offices e corporações continuarem retraídos, gestoras com o cheque público garantido podem ter dificuldade para fechar a captação.
O segundo risco é o tempo. A classificação final do Conexões Startups está prevista para até 23 de novembro. Depois vêm negociação do regulamento, captação e busca de empresas. Para a startup que precisa de dinheiro hoje, o anúncio de um fundo é uma promessa para 2027 em diante.
O terceiro é institucional. O edital do fundo de IA deixa claro que a seleção da gestora não gera obrigação contratual e que os investidores âncora podem desistir da operação sem dever compensação. É uma cautela compreensível, mas lembra que programas que dependem da prioridade de cada governo precisam de previsibilidade para atravessar mudanças de gestão.
Aos fundadores, o recado é prático. Quem já passou por Centelha, subvenção da Finep, Tecnova ou BNDES Garagem deve organizar esse histórico: ele virou critério de elegibilidade. E quem constrói com inteligência artificial no centro do negócio, e não como acessório, tem agora uma tese pública escrita para si.
Capital público bem desenhado não substitui o mercado; ele o convoca. O teste dos próximos dois anos não será quantos fundos BNDES e Finep anunciam, mas quanto dinheiro privado entra ao lado deles. Se a resposta for pouco, o problema não estará na alavanca, e sim na falta de quem deveria fazer força do outro lado.
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