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Informação para o próximo passoquarta-feira, 7 de outubro de 2026
Volume no Brasil cresce 14,8% sobre o mesmo período de 2023, mas recua frente ao fim do ano passado. Na América Latina, aportes somam US$ 2,18 bilhões, com cheques maiores e menos rodadas.

As startups brasileiras receberam US$ 928,3 milhões em investimentos de venture capital no primeiro semestre de 2024, segundo levantamento da Distrito, plataforma de inovação que acompanha o mercado de capital de risco na América Latina. O valor representa alta de 14,8% em relação aos primeiros seis meses de 2023, mas fica 25,6% abaixo do registrado no segundo semestre do ano passado.
Considerando toda a região, as startups latino-americanas somaram US$ 2,18 bilhões no período, crescimento de 40,7% sobre o primeiro semestre de 2023, quando o total foi de US$ 1,55 bilhão. De acordo com a Distrito, foi o melhor semestre desde a segunda metade de 2022, quando os aportes chegaram a US$ 2,75 bilhões.
O dado que mais chama atenção no relatório é a mudança no perfil dos negócios. O número de rodadas na América Latina caiu de 414 para 377 na comparação anual, enquanto o tíquete médio subiu de US$ 3,74 milhões para US$ 5,78 milhões. Em outras palavras, entrou mais dinheiro em menos empresas.
Por estágio, as rodadas mais avançadas concentraram cerca de US$ 1,3 bilhão. Os estágios iniciais somaram US$ 840,3 milhões, e o pré-seed, apenas US$ 36,7 milhões. A Distrito também contabilizou 19 rodadas de dívida, que totalizaram cerca de US$ 1,07 bilhão, volume estável em relação ao ano anterior e registrado à parte dos aportes em participação.
A melhora do mercado se deve à retomada gradual das rodadas em estágios mais avançados, que eram raras em 2022 e 2023.
As fintechs continuaram como o segmento mais dinâmico, com US$ 813,5 milhões captados na região. Entre as maiores rodadas do semestre aparecem duas brasileiras: a Celcoin, que levantou R$ 650 milhões, e a CRM&Bonus, com R$ 400 milhões. No México, a Clip captou US$ 100 milhões.
O movimento de fusões e aquisições também se manteve ativo: foram 118 transações envolvendo startups no semestre. As fintechs lideraram, com 25 operações, seguidas por deeptechs, com 10, e retailtechs, com 8.
Apesar de continuar sendo o mercado mais ativo da região, o Brasil vem cedendo terreno relativo para países como México e Colômbia, segundo a leitura da Distrito. A participação brasileira de 42,6% no volume regional ainda é a maior, mas o crescimento de 14,8% no país ficou bem abaixo da alta de 40,7% observada na América Latina como um todo.
Para fundadores em fase inicial, o retrato do semestre pede atenção. O dinheiro voltou a circular com mais força nas etapas avançadas, mas o pré-seed respondeu por uma fatia pequena do total. Na prática, empresas nascentes tendem a encontrar um funil mais seletivo no capital de risco e podem precisar combinar outras fontes, como investimento-anjo, programas públicos de fomento e receita própria, antes de buscar uma rodada institucional.
Ao mesmo tempo, a recuperação gradual das rodadas maiores é um sinal positivo para a cadeia como um todo: fundos que voltam a investir em empresas maduras e a realizar saídas por aquisição tendem a ganhar fôlego para novas captações, o que, com algum atraso, costuma chegar também aos estágios iniciais.
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