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Informação para o próximo passoquarta-feira, 7 de outubro de 2026
Levantamentos da Sling Hub e da Liga Ventures mostram retração nos aportes, alta nas fusões e aquisições e o fim de uma sequência que vinha desde 2018.

O ano de 2025 terminou com menos dinheiro para as startups brasileiras e com um marco simbólico quebrado. Pela primeira vez desde 2018, o país não ganhou nenhum novo unicórnio, como são chamadas as empresas de tecnologia de capital fechado avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão. Os números de duas consultorias que acompanham o ecossistema apontam na mesma direção: os cheques ficaram mais escassos, enquanto as fusões e aquisições ganharam espaço.
Segundo dados preliminares da plataforma Sling Hub, divulgados pela Bloomberg Línea no fim de dezembro, os investimentos em participação acionária (equity) nas startups brasileiras somaram US$ 1,7 bilhão em 2025, contra US$ 2,6 bilhões no ano anterior, uma retração de 34%. Quando se incluem as operações de dívida, como fundos de recebíveis (FIDCs), o total chega a US$ 4,3 bilhões, 17% abaixo dos US$ 5,2 bilhões registrados em 2024.
A diferença entre as duas quedas mostra que o crédito estruturado segurou parte do volume. A fintech CloudWalk liderou esse movimento com duas emissões de FIDCs, de US$ 787,9 milhões e US$ 549 milhões. Entre as rodadas de equity, as maiores foram a da Starian, spin-off da Softplan, que recebeu US$ 115,5 milhões da General Atlantic; a Série G de US$ 108 milhões da Creditas; e o aporte de US$ 100 milhões na Canopy.
O estudo Ecossistema 2025, da Liga Ventures, usa outra metodologia e chega a um quadro parecido. O levantamento contabilizou R$ 13 bilhões investidos em startups brasileiras em 407 transações, queda de 16% em relação a 2024. Em compensação, as operações de fusão e aquisição subiram para 229, alta de 54,7% sobre o ano anterior.
As fintechs seguiram como o principal destino do capital, com 40% do volume, seguidas por retailtechs (11,7%), healthtechs (9,7%), agtechs (6,2%) e construtechs (5,5%). Em Minas Gerais, um dos polos acompanhados pelo estudo, os aportes somaram R$ 955,22 milhões, 10% a menos que em 2024, com mais da metade do valor concentrada em três empresas: a traveltech Onfly (R$ 240 milhões), a fintech Kanastra (R$ 170 milhões) e a NeoSpace AI (R$ 105,7 milhões).
Para Daniel Grossi, cofundador da Liga Ventures, a retração não chegou a assustar o mercado, porque 2024 tinha sido um ano atipicamente positivo. Na leitura dele, 2025 foi um período de reajuste, marcado por incertezas macroeconômicas e pelo avanço acelerado da inteligência artificial generativa, com a consolidação via M&A como principal característica.
Desde 2018, quando a 99 se tornou o primeiro unicórnio brasileiro, o país vinha produzindo ao menos uma empresa bilionária por ano. O último caso foi o da QI Tech, em 2024. Em 2025, os novos unicórnios da região vieram do México. Segundo o relatório Corrida dos Unicórnios 2026, da Distrito, foram a Plata e a Kapital. A Plata Card ganhou o status em março, depois de levantar US$ 160 milhões numa Série A liderada pela Kora, com avaliação de US$ 1,5 bilhão, de acordo com a Sling Hub.
Para o fundador que vai ao mercado em 2026, o recado dos números é de seletividade. Com menos cheques grandes, investidores tendem a priorizar eficiência de capital, receita recorrente e caminho claro para o lucro. Ao mesmo tempo, o aumento das aquisições indica que a venda para uma empresa maior voltou a ser uma saída concreta, e não apenas um plano B, para negócios que não conseguem levantar a próxima rodada.
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