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Startups

Tractian capta US$ 120 milhões em série C e chega a valuation de R$ 4 bilhões

Rodada da startup de monitoramento de máquinas industriais, fundada no Brasil em 2019, foi liderada pela Sapphire Ventures e está entre as maiores do ano no país.

Redação Inova Simples4 min de leitura
Sensor instalado em motor industrial: monitoramento contínuo para prever falhas
Sensor instalado em motor industrial: monitoramento contínuo para prever falhas Imagem gerada por IA

A Tractian, startup criada no Brasil que desenvolve sensores e software com inteligência artificial para monitorar máquinas industriais, anunciou oficialmente nesta quinta-feira (5) uma rodada série C de US$ 120 milhões, cerca de R$ 700 milhões. O aporte foi liderado pela Sapphire Ventures, com participação de General Catalyst, Next47 e NGP Capital.

A captação já havia sido confirmada pela empresa à imprensa brasileira no fim de novembro. Segundo a Bloomberg Línea, a rodada avaliou a companhia em R$ 4 bilhões e elevou para R$ 1,05 bilhão o total levantado pela startup em quatro rodadas.

Sensores e IA no chão de fábrica

A Tractian foi fundada em 2019 pelos brasileiros Igor Marinelli, Gabriel Lameirinhas e Leonardo Vieira. O produto combina hardware e software: sensores instalados nos equipamentos captam sinais como ruído, vibração e temperatura, e a plataforma usa esses dados para identificar defeitos e antecipar falhas, permitindo que a manutenção seja feita antes da quebra.

Hoje a empresa tem sede em Atlanta, nos Estados Unidos, e escritórios em São Paulo e na Cidade do México. Entre os clientes citados estão Suzano, Dexco, M. Dias Branco e Nissan Brasil. A companhia afirma ter mais de 200 engenheiros dedicados a pesquisa e desenvolvimento e ter depositado 12 patentes em 2024, além de ser a única empresa voltada à manufatura na lista Forbes AI 50.

We see Tractian as a transformative force in the industrial sector, addressing one of the most expensive challenges facing manufacturers today—unplanned downtime.
Anders Ranum, sócio da Sapphire Ventures (em inglês, no comunicado da empresa)

Para onde vai o dinheiro

De acordo com a empresa, os recursos serão usados para acelerar o desenvolvimento de produtos de IA para a manufatura, ampliar a presença comercial e contratar profissionais de engenharia, ciência de dados e vendas. Segundo a Bloomberg Línea, os planos incluem ainda um novo laboratório no Brasil, previsto para junho de 2025, e a possibilidade de crescer por meio de aquisições.

O argumento de mercado é o custo das paradas não planejadas. No comunicado, a Tractian cita estimativa de que essas interrupções custam US$ 1,4 trilhão por ano às 500 maiores empresas do mundo, o equivalente a 11% de suas receitas anuais.

Um sinal para o ecossistema

Em um mercado de venture capital em que os grandes cheques ficaram concentrados em fintechs nos últimos anos, a rodada da Tractian chama atenção por vir de uma empresa de tecnologia industrial, que depende de hardware próprio e de vendas para fábricas, um ciclo comercial tradicionalmente mais longo. Também é um exemplo de startup nascida no Brasil que buscou cedo o mercado internacional: segundo a Bloomberg Línea, 40% da receita já vem de fora do país.

Para fundadores de empresas de base tecnológica, o caso reforça que há apetite de investidores globais por soluções que resolvam problemas caros e mensuráveis da economia real, desde que a tese mostre escala além do mercado doméstico.

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