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Startups

Music.AI, dona do app Moises, capta US$ 40 milhões para acelerar IA generativa

Startup criada em João Pessoa fecha série A coliderada por Monashees e Connect Ventures e quer ampliar o time de ciência de dados e a capacidade de treinar modelos.

Redação Inova Simples4 min de leitura
Estúdio caseiro com bateria e computador: o app Moises separa instrumentos de uma gravação com inteligência artificial
Estúdio caseiro com bateria e computador: o app Moises separa instrumentos de uma gravação com inteligência artificial Imagem gerada por IA

A Music.AI, empresa responsável pelo aplicativo Moises, anunciou em 22 de janeiro de 2025 uma rodada série A de US$ 40 milhões, cerca de R$ 250 milhões. O aporte foi coliderado pela gestora brasileira Monashees e pela americana Connect Ventures, joint venture da agência CAA com o fundo NEA.

Também participaram Kickstart, Samsung Next, Toba Capital, Valutia e Pelion, além de nomes da indústria musical, como Steve Aoki, Freddy Wexler, 3LAU e Alexander23. Somando as rodadas anteriores, de pré-seed e seed, a startup já levantou US$ 50,2 milhões em cinco anos.

De projeto paralelo a 50 milhões de usuários

O Moises foi criado em 2019 em João Pessoa, na Paraíba, por Geraldo Ramos, Eddie Hsu e Jardson Almeida. A ideia nasceu de uma necessidade de músico: isolar ou remover instrumentos de uma gravação para estudar e praticar. Com aprendizado de máquina, o aplicativo permite isolar ou remover instrumentos e trechos de uma música, além de outros recursos de edição.

Segundo Ramos, o produto começou como projeto paralelo e atraiu 50 mil usuários já na primeira semana, o que levou os sócios a contratar cientistas de dados para desenvolver modelos próprios a partir de 2020. Hoje, o app soma mais de 50 milhões de usuários em mais de 200 países e foi eleito o melhor aplicativo do ano para iPad no App Store Awards 2024, da Apple.

O negócio B2B

Nos últimos 18 meses, a empresa passou a se chamar Music.AI, nome que também batiza a oferta para empresas. O Moises ficou como produto voltado ao consumidor final. No B2B, clientes contratam a tecnologia na nuvem e pagam, em geral, por minuto de áudio e por módulo usado. São mais de 40 módulos, entre eles separação de faixas e transcrição. A vertical corporativa responde por 10% do faturamento e tem entre os clientes a gravadora Sony.

A plataforma inclui ainda um estúdio de vozes com IA generativa, treinado com mais de 50 vozes cujos donos são remunerados pela licença de uso. A maior parte da receita vem dos Estados Unidos, com cerca de 35% do total, seguidos por Brasil e México.

Nós resolvemos levantar capital porque achamos que essas tecnologias de AI generativa vão acelerar muito rapidamente e queremos estar realmente na vanguarda.
Geraldo Ramos, cofundador e CEO da Music.AI

Para onde vai o dinheiro

De acordo com o CEO, os recursos vão financiar a expansão do time de ciência de dados e da capacidade de treinamento de modelos, que exige clusters de computação, um dos itens mais caros para startups de IA. A empresa tinha 90 funcionários no anúncio, 15 deles em ciência de dados, e estimava chegar a 150 ao longo de 2025. Entre os lançamentos previstos estava um recurso chamado internamente de Session Musicians, em que agentes de IA acrescentam instrumentos a uma gravação feita pelo músico.

Ao comentar o investimento, Eric Acher, da Monashees, destacou a criatividade da América Latina e o fato de a empresa ser construída por fundadores brasileiros com ambição global.

O caso mostra um caminho cada vez mais comum para startups de IA no Brasil: nascer com um produto de consumo, ganhar escala global e depois transformar a tecnologia em infraestrutura vendida para outras empresas. Para fundadores, chama atenção também o peso do custo computacional no uso do dinheiro captado, um item que tende a crescer em qualquer negócio que treine modelos próprios.

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