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Tecnologia

Tecnologia deve abrir 33 mil vagas com carteira em 2026, mas o setor cresce mesmo via MEI

Relatório da Brasscom mostra que, de cada dez profissionais que entraram no mercado de TIC entre 2023 e 2025, quase seis vieram como MEI ou informais.

Redação Inova Simples5 min de leitura
Escritório de tecnologia: contratação no setor cresce, mas cada vez menos pela CLT
Escritório de tecnologia: contratação no setor cresce, mas cada vez menos pela CLT Imagem gerada por IA

O mercado de tecnologia brasileiro continua contratando, só que cada vez menos com carteira assinada. É o que mostra o relatório Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC, da Brasscom, associação que reúne empresas de tecnologia da informação e comunicação. O estudo projeta 33 mil novos empregos formais (CLT) no setor ao longo de 2026, mas o dado que mais chama atenção está no retrovisor: entre 2023 e 2025, a maior parte dos profissionais que entraram no mercado o fez como microempreendedor individual (MEI) ou na informalidade.

Onde estão as vagas de 2026

A projeção, feita com modelo estatístico de machine learning e margem de erro de 1,1%, para mais ou para menos, parte de 2,126 milhões de profissionais com carteira em dezembro de 2025 e chega a 2,159 milhões no fim de 2026, alta de 1,6%. Das cerca de 33 mil vagas, 23 mil devem surgir nas atividades típicas de TIC, como software, serviços e nuvem; 8,2 mil nas equipes de TI de empresas de outros setores, o chamado TI in house; e 2,3 mil em telecomunicações.

Dentro do núcleo de TIC, a geração de vagas se concentra em serviços (cerca de 20 mil) e software (6,2 mil, alta de 3,7%). Hardware, componentes e comércio de produtos de TIC aparecem em retração na projeção.

O crescimento que não passa pela CLT

Entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025, o setor somou 111,1 mil profissionais. Desse acréscimo, 44,4% resultaram em empregos com carteira e 55,6% foram para MEIs e trabalhadores informais. O relatório detalha o período de setembro de 2024 a dezembro de 2025: o total de profissionais cresceu 125,4 mil, mas apenas 23,7 mil com carteira; 88,5 mil vieram como MEIs ou PJs e 13,3 mil como informais. Em 2025, os MEIs já eram 24,5% da força de trabalho de tecnologia, contra 48,5% de CLT e 27% de informais.

A própria Brasscom reconhece que sua projeção anterior, de 30 mil a 147 mil novas vagas CLT, captou a tendência de crescimento, mas não a forma de contratação. Para a entidade, o principal entrave não é a falta de demanda por trabalho, e sim o ambiente econômico e regulatório, que encarece a contratação formal e empurra o mercado para a pejotização e a informalidade.

Formação cresce, mas a porta de entrada é estreita

Do lado da oferta, o país nunca formou tanta gente em tecnologia. Foram 200,7 mil concluintes de cursos superiores da área entre 2022 e 2024, com 110.960 só em 2024, alta acumulada de 59,1% no período. As mulheres eram 19,2% dos formados em 2024, 1,3 ponto percentual a mais do que no ano anterior. As matrículas em cursos técnicos de TIC no ensino médio cresceram 52% entre 2023 e 2025.

Pesquisas complementares da entidade mostram o descompasso. Entre as empresas ouvidas, 82% planejam aumentar o número de profissionais de TI nos próximos dois anos, e as principais dificuldades citadas para contratar são conhecimento técnico, falta de experiência e alta competitividade. Entre os jovens, 90% já fizeram algum curso preparatório para emprego, mas 54% dizem não conseguir chegar à etapa de entrevista.

O que isso significa para fundadores

Para startups e pequenas empresas de software, o retrato tem dois lados. A contratação de desenvolvedores e analistas como pessoa jurídica é hoje a regra em boa parte do mercado, e não a exceção, o que também significa disputar esses profissionais com empresas maiores que adotam o mesmo modelo. Ao mesmo tempo, o aumento gradual do custo da folha até 2028 tende a pesar no planejamento de quem pretende formalizar equipes. As áreas mais citadas pelas empresas como prioridade técnica, computação em nuvem, cibersegurança e inteligência artificial, indicam onde a disputa por talentos deve continuar mais acirrada.

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