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Inovação

Manteiga feita de carbono da Savor chega às confeitarias e atrai gigante sueca de gorduras

A startup apoiada por Bill Gates começou a vender em São Francisco, captou US$ 32 milhões com participação da AAK e virou alvo de um projeto de lei que exige o rótulo de 'manteiga criada em laboratório' nos EUA.

Redação Inova Simples5 min de leitura

Continuação de Savor: a aposta de Bill Gates em gorduras produzidas sem criação de animais (16 de jul de 2024)

Manteiga e bombons de chocolate: os primeiros produtos com a gordura da Savor foram vendidos em confeitaria
Manteiga e bombons de chocolate: os primeiros produtos com a gordura da Savor foram vendidos em confeitaria Imagem gerada por IA

Em fevereiro de 2024, Bill Gates contou em seu blog que havia provado uma gordura parecida com manteiga produzida sem vacas e sem plantas, pela startup californiana Savor. A pergunta que ficou era se aquilo sairia do laboratório. Em 2026, a resposta é sim, ainda que em pequena escala: o produto já é vendido em confeitarias de São Francisco, a empresa ganhou um sócio industrial de peso e passou a enfrentar resistência política do setor de laticínios nos Estados Unidos.

Em 10 de julho, a Savor anunciou uma parceria de dois anos com a sueca AAK, especialista em óleos e gorduras vegetais, para desenvolver ingredientes destinados a alternativas aos laticínios e à panificação. A AAK também entrou como acionista. Segundo a Green Queen, a rodada em que a AAK participou somou US$ 32 milhões e elevou o total captado pela startup a US$ 65 milhões.

Da vitrine da confeitaria à indústria

A estreia comercial aconteceu em setembro de 2025, num evento na confeitaria ONE65, em São Francisco. Segundo o site Vegconomist, a fila começou a se formar no meio da tarde, as amostras acabaram na primeira hora e centenas de bombons foram vendidos. Foram três sabores: ganache de manteiga com chocolate amargo, chocolate ao leite com Earl Grey e framboesa com chocolate amargo. A empresa também abriu pré-venda pela internet para entrega em todo o país.

Outros estabelecimentos da região passaram a testar o ingrediente, como o restaurante SingleThread, com estrela Michelin, e a padaria Jane the Bakery, que planejava incluir croissants feitos com a gordura no cardápio regular no início de 2026, segundo a Green Queen.

Para a AAK, o interesse está em oferecer à indústria gorduras que não dependam de terra fértil, fertilizantes ou água doce. As duas empresas afirmam que os ingredientes desenvolvidos em conjunto podem exigir mil vezes menos área e emitir até 98% menos carbono do que os equivalentes convencionais. São estimativas das próprias companhias.

The unique solutions that are unlocked by the AAK-Savor strategic collaboration address a market need across the food industry.
Ronald van der Knaap, chefe global de laticínios, nutrição infantil e salgados da AAK

Na avaliação do executivo, as soluções criadas pela parceria atendem a uma necessidade de toda a indústria de alimentos.

Escala ainda é o desafio

A produção continua pequena. Segundo a Green Queen, a Savor opera uma planta piloto em Batavia, no estado de Illinois, e planeja uma fábrica comercial de 10 mil toneladas por ano, que depende de uma futura rodada Série B. A empresa diz que só nessa escala conseguiria disputar preço com o óleo de palma. No campo regulatório, a Savor declarou por conta própria a gordura como segura (o status conhecido como GRAS), o que permite a venda nos EUA, e espera uma carta de 'sem objeções' da FDA entre o fim de 2026 e o início de 2027.

A reação do setor de laticínios

O avanço chamou a atenção de Washington. Em 22 de junho, os deputados Tony Wied, republicano de Wisconsin, e Josh Riley, democrata de Nova York, apresentaram o REAL Butter Act. O projeto obriga produtos vendidos como manteiga que contenham gordura sintetizada por processos não agrícolas a trazer na embalagem a expressão 'lab-created butter' (manteiga criada em laboratório). No comunicado, Wied citou a Savor nominalmente como exemplo de que esse tipo de produto já não é hipotético.

A Savor respondeu à Green Queen que leva a transparência a sério, que o projeto pode vir de um mal-entendido sobre sua tecnologia e que seus produtos sempre seguirão as regras de rotulagem da FDA. O texto ainda precisa tramitar no Congresso americano.

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